nova iorque, 8 de setembro de 2010
as luzes da cidade
e o vento frio
eles sabem bem o que me trazem
na varanda do prédio
acima de um grande parque
assisto a vida das pessoas
um casal de velhinhos tomando sorvete
a criança gritando depois de sair do brinquedo
alguém chorando depois de desligar uma ligação - ela terminou o namoro -
a noite azul marinho e a iluminação das ruas
assistindo almas nuas
sinto saudade das noites de são joão na minha terra natal
talvez também das tardes de carnaval
“a vida continua, sempre continua”
pensei isso depois de ver a mulher chorando indo embora e uma das bolas do sorvete dos velhinhos cair no chão
ao olhar além do parque, eu vi a praia
sinto falta do ano passado
hanna e bárbara me fazem falta
lembro de quase todo final de semana ficarmos na beira do mar escutando típicas músicas pop dos anos 2000, óculos escuros e biquínis coloridos
cheiro de água salgada
sol das 16:30
vozes de pessoas desconhecidas ao redor
voltando minha atenção ao parque
vejo uma das minhas amigas que fiz aqui vindo a caminho do meu prédio
- vai, abre logo
(ela falou dando um grito da calçada do outro lado)
- tô descendo
emma e eu passamos 2 horas conversando sobre assuntos diversos e tomando vinho
sentadas numa rede na minha varanda, essa foi uma das noites que mais ri na minha vida
pensei:
“a vida continua, sempre continua.”
— juuskie
